Loja física na cidade do Montijo na Rua Cidade de Faro 111
A loja não tem serviço de reparação de equipamentos
Clientes registados, com conta criada, por cada 500€ acumulados de compras, receberão um voucher de 25€ para gastar na loja (Válido para compras a partir de 01-01-2025)
Trustpilot

Guia Completo: Reparar Fontes de Alimentação Comutadas (SMPS) - Componentes Comuns a Verificar

Escrito em 2 de Abril de 2025

Guia Completo: Reparar Fontes de Alimentação Comutadas (SMPS) - Componentes Comuns a Verificar

Guia Completo: Reparar Fontes de Alimentação Comutadas (SMPS) - Componentes Comuns a Verificar

As fontes de alimentação comutadas, mais conhecidas pela sigla inglesa SMPS (Switched-Mode Power Supply), são omnipresentes no mundo da eletrónica moderna. Desde computadores, televisores, carregadores de telemóvel, a equipamentos industriais complexos, a eficiência e o tamanho compacto das SMPS tornaram-nas a escolha preferencial em detrimento das antigas fontes lineares. No entanto, como qualquer componente eletrónico, estão sujeitas a avarias. A reparação de SMPS pode ser uma tarefa desafiante, mas recompensadora, quer para profissionais de eletrónica, quer para entusiastas do "faça você mesmo" (DIY).

Este guia completo foca-se nos passos essenciais e nos componentes mais comuns a verificar durante a reparação de uma fonte de alimentação comutada, otimizado para quem procura informação detalhada sobre diagnóstico e reparação de SMPS em Portugal.

A Importância da Segurança em Primeiro Lugar


Antes de sequer pensar em abrir uma SMPS, a segurança é primordial. Estas fontes operam com tensões perigosas provenientes da rede elétrica (230V AC em Portugal) e contêm condensadores de grande capacidade que podem armazenar carga letal mesmo depois de desligadas da corrente.

Regras de Ouro da Segurança na Reparação de SMPS:

Desligar Completamente: Certifique-se SEMPRE que a fonte está desligada da tomada elétrica antes de abrir o invólucro.
Descarga dos Condensadores: Os condensadores de entrada (grandes e cilíndricos) são os mais perigosos. Utilize uma resistência de descarga apropriada (por exemplo, 10kΩ, 5W) ligada a pontas de prova isoladas para descarregar estes condensadores. Meça a tensão nos terminais com um multímetro para confirmar que estão descarregados (próximo de 0V) antes de tocar em qualquer parte do circuito. Nunca use uma chave de fendas para curto-circuitar os terminais, pois pode danificar os condensadores e outros componentes.
Transformador de Isolamento: Sempre que possível, utilize um transformador de isolamento ao realizar testes com a fonte ligada à rede. Isto isola galvanicamente o circuito da rede elétrica, reduzindo significativamente o risco de choque elétrico.
Área de Trabalho: Trabalhe numa área limpa, seca, bem iluminada e isolada. Utilize uma bancada não condutora.
Ferramentas Adequadas: Utilize ferramentas isoladas e em bom estado.
Uma Mão nas Costas: Ao realizar medições com a fonte energizada (e com transformador de isolamento!), tente manter uma mão afastada do circuito para evitar que a corrente passe pelo seu peito em caso de choque acidental.
Conhecimento: Se não tem a certeza do que está a fazer, não o faça. Procure ajuda profissional ou estude mais sobre o funcionamento e os riscos associados.

Entender (Basicamente) o Funcionamento de uma SMPS


Para diagnosticar eficazmente uma SMPS, é útil ter uma noção básica das suas etapas de funcionamento:

Retificação e Filtragem de Entrada: A tensão AC da rede (230V) é retificada (convertida para DC) por uma ponte de díodos e depois filtrada por grandes condensadores eletrolíticos, resultando numa tensão DC elevada (cerca de 320V DC). Um filtro EMI (Interferência Eletromagnética) também está presente nesta fase para evitar que o ruído gerado pela fonte volte para a rede elétrica.
Comutação (Switching): Um ou mais transístores de potência (geralmente MOSFETs ou BJTs) "cortam" esta alta tensão DC a alta frequência (dezenas ou centenas de kHz), controlados por um circuito integrado (CI) dedicado (controlador PWM - Pulse Width Modulation).
Transformação: A tensão DC pulsante de alta frequência é aplicada ao primário de um transformador de alta frequência. Este transformador, além de ajustar o nível de tensão, proporciona isolamento galvânico entre a entrada (rede) e a saída (baixa tensão).
Retificação e Filtragem de Saída: A tensão AC de alta frequência no secundário do transformador é retificada (frequentemente usando díodos Schottky, mais rápidos e eficientes) e depois filtrada por indutores e condensadores para fornecer uma tensão DC estável e limpa na saída.
Feedback e Controlo: Uma parte da tensão de saída é monitorizada e enviada de volta ao CI controlador PWM (normalmente através de um optoacoplador para manter o isolamento). O controlador ajusta a largura dos pulsos (duty cycle) aplicados ao transístor de comutação para manter a tensão de saída constante, independentemente das variações na carga ou na tensão de entrada.


Diagnóstico e Componentes Comuns a Verificar


A reparação começa quase sempre com uma inspeção visual cuidadosa e depois passa para testes "a frio" (sem alimentação) e, se necessário e com extrema cautela, testes "a quente" (com alimentação).

1. Inspeção Visual Detalhada


Muitas avarias deixam marcas visíveis. Procure por:

Fusível Queimado: Um fusível de entrada queimado (vidro escurecido, filamento partido) indica quase sempre uma falha catastrófica mais à frente (curto-circuito). Raramente queima por si só.
Componentes Queimados/Esturrados: Marcas de queimadura, cheiro a queimado, componentes partidos ou rachados são indicadores óbvios de falha. Identifique o componente e os que o rodeiam.
Condensadores Eletrolíticos Inchados ou com Fugas: Especialmente os condensadores de entrada e saída. Procure por topos inchados, fugas de eletrólito (líquido ou crosta acastanhada/branca), ou invólucros deformados. Esta é uma das causas mais comuns de falha em SMPS.
Soldaduras Frias ou Rachadas: Verifique as soldaduras, especialmente nos pinos de componentes pesados ou que aquecem muito (transformadores, transístores de potência, díodos, resistências de potência). Vibrações e ciclos térmicos podem causar fissuras nas soldaduras.
Pistas do PCB Danificadas: Verifique se há pistas levantadas, queimadas ou interrompidas na placa de circuito impresso (PCB).


2. Testes "a Frio" (Sem Alimentação)


Com a fonte desligada e os condensadores descarregados, use um multímetro para verificar os seguintes componentes:

Fusível (Fuse):

Função: Proteger o circuito contra sobrecorrentes.
Teste: Verifique a continuidade com o multímetro no modo de continuidade ou resistência (ohmímetro). Deve apresentar uma resistência próxima de zero (curto-circuito). Se estiver "aberto" (resistência infinita), está queimado. Lembre-se: Se o fusível queimou, procure a causa (geralmente um curto-circuito na ponte retificadora, transístor de comutação ou condensadores de entrada). A simples substituição do fusível provavelmente resultará na sua queima imediata.


Varístor (MOV - Metal Oxide Varistor) e Termístor (NTC - Negative Temperature Coefficient):

Função: O MOV protege contra picos de tensão da rede. O NTC limita a corrente de arranque (inrush current) quando a fonte é ligada.
Teste: Visualmente, procure por sinais de explosão ou queimadura no MOV. Com o multímetro em modo de resistência, o MOV deve apresentar resistência infinita. O NTC deve apresentar uma resistência baixa (alguns ohms) à temperatura ambiente. Falhas comuns são o MOV entrar em curto (queimando o fusível) ou o NTC abrir o circuito.


Ponte Retificadora (Bridge Rectifier):

Função: Converter AC para DC pulsante. Pode ser composta por quatro díodos individuais ou um componente único.
Teste: Use o modo de teste de díodos do multímetro. Cada díodo interno deve conduzir num sentido (mostrar uma queda de tensão, tipicamente 0.5V a 0.8V) e bloquear no outro (mostrar "OL" ou circuito aberto). Um díodo em curto mostrará continuidade (0V ou perto disso) em ambos os sentidos. Um díodo aberto não conduzirá em nenhum sentido. Uma falha comum é um ou mais díodos entrarem em curto, causando a queima do fusível.


Condensadores Eletrolíticos de Entrada (Bulk Capacitors):

Função: Filtrar a DC pulsante da ponte retificadora, fornecendo uma tensão DC elevada e estável para o estágio de comutação.
Teste: A inspeção visual (inchaço, fuga) é crucial. Um multímetro pode verificar curto-circuitos (resistência muito baixa). No entanto, a falha mais comum é o aumento da ESR (Equivalent Series Resistance) ou a perda de capacitância, que são difíceis de medir com um multímetro comum. Um medidor de ESR é a ferramenta ideal para testar estes condensadores, preferencialmente fora do circuito. Condensadores com ESR elevada podem causar instabilidade na fonte, ruído ou falha total.


Transístor(es) de Comutação (Switching Transistor - MOSFET ou BJT):

Função: O "coração" da SMPS, liga e desliga a alta tensão DC a alta frequência.
Teste: Este é um ponto de falha muito comum, frequentemente entrando em curto-circuito entre os seus terminais (Drain-Source no MOSFET, Coletor-Emissor no BJT). Use o modo de teste de díodos ou resistência para verificar curtos. Testar completamente um MOSFET ou BJT pode ser complexo e idealmente requer um testador de componentes ou um osciloscópio para verificar o sinal de gate/base. Um curto neste componente geralmente causa a queima do fusível e, por vezes, danos no CI controlador e resistências associadas.


Díodos Retificadores de Saída (Output Rectifiers):

Função: Retificar a tensão AC de alta frequência do secundário do transformador. Frequentemente são díodos Schottky (rápidos, baixa queda de tensão) ou díodos ultra-rápidos.
Teste: Use o modo de teste de díodos. Verifique se há curtos ou se estão abertos. Estes díodos trabalham arduamente e são uma causa comum de ausência de tensão de saída ou tensão baixa. Podem estar montados em dissipadores de calor.


Condensadores Eletrolíticos de Saída (Output Capacitors):

Função: Filtrar a tensão DC retificada na saída, removendo o ripple (ondulação) de alta frequência.
Teste: Tal como os de entrada, são muito propensos a falhas por ESR elevada ou perda de capacitância devido ao calor e ao ripple de corrente. Inspeção visual é importante. Um medidor de ESR é altamente recomendado. Condensadores de saída defeituosos são a causa mais frequente de instabilidade na saída, ruído excessivo, ou incapacidade da fonte de fornecer a corrente nominal.


3. Componentes Adicionais a Considerar


Circuito Integrado Controlador PWM (PWM Controller IC):

Função: Gera o sinal que controla o transístor de comutação e monitoriza o feedback.
Teste: Difícil de testar "a frio". A falha do transístor de comutação pode danificar este CI. Verifique se há resistências de baixo valor ou díodos zener queimados no circuito de alimentação (Vcc) do CI. A melhor forma de testar é verificar se recebe a tensão de alimentação correta (Vcc) durante o teste "a quente" e observar o sinal de saída com um osciloscópio (requer experiência e cautela). Frequentemente, a substituição é a única forma de confirmar a falha.


Optoacoplador (Optocoupler):

Função: Transmite o sinal de feedback da saída para o primário, mantendo o isolamento galvânico.
Teste: Pode ser testado "a frio" como um LED e um fototransístor, mas falhas subtis são difíceis de detetar sem equipamento específico ou substituição.
Referência de Tensão (Voltage Reference - e.g., TL431):

Função: Um componente comum no circuito de feedback (lado secundário) que ajuda a regular a tensão de saída com precisão.
Teste: Pode falhar, causando tensão de saída incorreta (alta ou baixa). A verificação da tensão no seu pino de referência durante o teste "a quente" pode indicar problemas.
Resistências: Verifique resistências de baixo valor (fusíveis de superfície - SMD) ou resistências de potência quanto a sinais de queimadura ou circuito aberto. Resistências de arranque (start-up resistors) que alimentam inicialmente o CI PWM também podem falhar.


4. Testes "a Quente" (Com Alimentação e Extrema Cautela)


AVISO: Realize estes testes apenas se tiver experiência, compreensão dos riscos e, idealmente, com um transformador de isolamento.

Tensão nos Condensadores de Entrada: Meça a tensão DC nos terminais dos grandes condensadores de entrada. Deverá ser cerca de √2 * V_AC_RMS (aproximadamente 320V DC para uma entrada de 230V AC). Se for zero, verifique desde a tomada até à ponte retificadora.
Tensão de Alimentação (Vcc) do CI PWM: Encontre o pino Vcc do CI controlador (consulte a datasheet) e meça a sua tensão em relação ao terra do primário. Frequentemente, existe uma tensão de arranque inicial fornecida por resistências e depois uma tensão de funcionamento estável fornecida por um enrolamento auxiliar do transformador. Se esta tensão estiver ausente, pulsante ou muito baixa, o CI não funcionará.
Tensões de Saída: Meça as tensões DC nas saídas da fonte. Verifique se estão dentro das especificações. Se estiverem ausentes, baixas, altas ou instáveis, o problema pode estar no estágio de saída, no feedback ou no próprio controlo PWM.
Osciloscópio: Um osciloscópio é uma ferramenta poderosa para diagnosticar SMPS, permitindo visualizar o sinal de gate/base do transístor de comutação, o ripple na saída, e o funcionamento do circuito de feedback. Requer conhecimento para interpretar as formas de onda.


Metodologia de Reparação


Segurança Primeiro: Desligue, descarregue, inspecione.
Informação: Tente encontrar o esquema elétrico da fonte (nem sempre fácil). Identifique os principais componentes.
Inspeção Visual: Procure danos óbvios.
Testes a Frio: Comece pelo fusível e siga o fluxo de energia: entrada AC -> ponte retificadora -> condensadores de entrada -> transístor de comutação -> díodos de saída -> condensadores de saída. Use o multímetro e o medidor de ESR.
Causa Raiz: Se encontrar um componente queimado (ex: fusível, transístor), procure a causa subjacente antes de substituir. Substituir apenas o componente queimado sem corrigir a causa levará a nova falha.
Substituição: Use componentes de substituição com especificações iguais ou superiores (tensão, corrente, potência, ESR, velocidade no caso de díodos/transístores). Preste atenção à polaridade dos condensadores e díodos e à pinagem dos transístores e CIs.
Testes a Quente (Cautelosos): Se os testes a frio não revelarem a falha, proceda aos testes com alimentação, idealmente com transformador de isolamento e, se possível, uma lâmpada em série na entrada AC (limitador de corrente) para o primeiro arranque após a reparação.
Teste em Carga: Após a reparação, teste a fonte com uma carga adequada para garantir que fornece a tensão e corrente corretas de forma estável.


Conclusão


A reparação de fontes de alimentação comutadas (SMPS) exige uma abordagem metódica, conhecimento dos princípios de funcionamento e, acima de tudo, um respeito rigoroso pelas normas de segurança. Os componentes mais propensos a falhas incluem fusíveis (como sintoma), condensadores eletrolíticos (entrada e saída), transístores de comutação e díodos retificadores (entrada e saída). Uma boa inspeção visual, seguida de testes cuidadosos com um multímetro e um medidor de ESR, permite diagnosticar a maioria das avarias comuns.

Lembre-se que trabalhar com eletricidade pode ser perigoso. Se não se sentir confortável ou não tiver o conhecimento necessário, é sempre mais seguro procurar a ajuda de um técnico qualificado em reparação eletrónica em Portugal. No entanto, com a devida precaução e estudo, a reparação de SMPS pode ser uma habilidade valiosa e económica.


Calculadora online de Resistência (4 Faixas)

Valor: --

Tolerância: --

Gama: --